24 novembro 2004

Conversa em messenger.

ف الوطنية برصد مجموعة says:
+/-
ricardo voltou says:
GÔDO!
ricardo voltou says:
não tavas de cama?
ricardo voltou says:
ف الوطنية برصد مجموعة says:
sim
ف الوطنية برصد مجموعة says:
mas tou f.........
ف الوطنية برصد مجموعة says:
da vid
ف الوطنية برصد مجموعة says:
vida
ricardo voltou says:
pq^?
ف الوطنية برصد مجموعة says:
foderam o meu carro, anularam uma trabalho e o livro voltou para tra´s
ف الوطنية برصد مجموعة says:
além disso as gaxas não me ligam nada
ف الوطنية برصد مجموعة says:
ah
ف الوطنية برصد مجموعة says:
vamos em janeiro a angouleme
ف الوطنية برصد مجموعة says:
keres ir?
ricardo voltou says:
quero mas não posso
ricardo voltou says:
como vão?
ricardo voltou says:
pÓpO
ricardo voltou says:
´?
ف الوطنية برصد مجموعة says:
sim
ف الوطنية برصد مجموعة says:
vamos alugar um
ricardo voltou says:
e vão mesmo?
ف الوطنية برصد مجموعة says:
vou fazer as acreditações hoje via net
ricardo voltou says:
fixe
ricardo voltou says:
tb tenho saudades
ricardo voltou says:
mas não tenho tempo
ف الوطنية برصد مجموعة says:
ok
ricardo voltou says:
e como é q te aconteceu as outras coisas todas?
ricardo voltou says:
muito azar
ف الوطنية برصد مجموعة says:
acordei hoje e vi k bateram no carro
ف الوطنية برصد مجموعة says:
o livro voltou da gráfica por problemas de paginação
ف الوطنية برصد مجموعة says:
telefonaram-me á pouko e disserasm k as filmagens de hoje foram anuladas
ف الوطنية برصد مجموعة says:
as gaxas.................
ف الوطنية برصد مجموعة says:
bem, as gaxas são parvas
ricardo voltou says:
ai as gaxasa...as gaxas
ricardo voltou says:
são arvas mas algumas são boas cmó milho
ف الوطنية برصد مجموعة says:
pois
ف الوطنية برصد مجموعة says:
mas se não fisseres da maneira komo kerem
ف الوطنية برصد مجموعة says:
chateiam-te até doer os ouvidos
ricardo voltou says:
sim,sim
ف الوطنية برصد مجموعة says:
mas ehfim
ف الوطنية برصد مجموعة says:
enfim
ف الوطنية برصد مجموعة says:
o mundo gira e gaxas À muitas
ricardo voltou says:
oui
ف الوطنية برصد مجموعة says:
viva o mundo
ricardo voltou says:
e as gajas!
ricardo voltou says:
e o Pastel de bacalhau!
ricardo voltou says:
e o de Belém!
ricardo voltou says:
e a feijoada!
ricardo voltou says:
e o mundo outra vez!
ricardo voltou says:
e as gajas!
ف الوطنية برصد مجموعة says:
viva
ricardo voltou says:
UFA!
ricardo voltou says:
ف الوطنية برصد مجموعة says:
gajas
ricardo voltou says:
ah e a ginjinha!
ف الوطنية برصد مجموعة says:
conas mamas cus
ricardo voltou says:
eo caldo verde
ricardo voltou says:
e isso tb!
ricardo voltou says:
mas cus só de gajas
ricardo voltou says:
ف الوطنية برصد مجموعة says:
klaroooooooooo
ricardo voltou says:
mas q conversa tão interessante
ف الوطنية برصد مجموعة says:
pão com chouriço
ricardo voltou says:
boa!
ف الوطنية برصد مجموعة says:
sandes de coratos
ف الوطنية برصد مجموعة says:
minis
ف الوطنية برصد مجموعة says:
entremeadas
ricardo voltou says:
alheira de mirandela!
ف الوطنية برصد مجموعة says:
e cooooooooooooooona..........
ricardo voltou says:
co sabão????
ricardo voltou says:
ف الوطنية برصد مجموعة says:
sabão???
ف الوطنية برصد مجموعة says:
não
ricardo voltou says:
viva as bebedeiras nos queixos
ف الوطنية برصد مجموعة says:
muitas
ف الوطنية برصد مجموعة says:
estamos a fazer um novo spot da cerveja imperial????
ricardo voltou says:
e q os neurónios nã morram depressa
ricardo voltou says:
tamos?
ricardo voltou says:
nã é só conversa parava mesmo
ricardo voltou says:
"parva"
ricardo voltou says:
vivam as gajas om pêlos nos sovacos
ricardo voltou says:
BLHAARRG
ricardo voltou says:
estava a brincar, hem?
ricardo voltou says:
ف الوطنية برصد مجموعة says:
pêlos
ف الوطنية برصد مجموعة says:
NÃOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOO
ricardo voltou says:
gajas c p^los nas pernas...não curtes???
ricardo voltou says:
ف الوطنية برصد مجموعة says:
NNNNNNÃÃÃÃOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOO
ricardo voltou says:
chiça
ricardo voltou says:
já percebiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiii
ف الوطنية برصد مجموعة says:
SÓ GAJA RAPADA
ف الوطنية برصد مجموعة says:
e de tetas grandes e labios carnudos
ف الوطنية برصد مجموعة says:
pernas compridas
ف الوطنية برصد مجموعة says:
rabo redondo
ricardo voltou says:
e um gajo barbado de petas grandes e lábios sapudos????
ف الوطنية برصد مجموعة says:
cerveja gelada com wiskkkkyyyyy
ف الوطنية برصد مجموعة says:
nnnnnnnnnnnnããããã~~aooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooo
ف الوطنية برصد مجموعة says:
isso é cena à ************
ricardo voltou says:
tás a precisar mesmo de espairecer
ف الوطنية برصد مجموعة says:
sim
ف الوطنية برصد مجموعة says:
por isso vou para angouleme
ricardo voltou says:
fazeis bem
ricardo voltou says:
tb precisava de lá ir
ricardo voltou says:
mas enfim
ف الوطنية برصد مجموعة says:
COBARDE COBARDE COBARDE
ف الوطنية برصد مجموعة says:
COBARDE COBARDE COBARDE
ricardo voltou says:
chiça!
ricardo voltou says:
olha....
ricardo voltou says:
sabes o q eu te digo
ricardo voltou says:
?
ricardo voltou says:
VVA O MUNDO
ricardo voltou says:
e as gajas!
ricardo voltou says:
eo pastel de bacalhau
ricardo voltou says:
and so on
ف الوطنية برصد مجموعة says:
PRONTO
ف الوطنية برصد مجموعة says:
TUDO BEM
ف الوطنية برصد مجموعة says:
calma
ف الوطنية برصد مجموعة says:
eu sou teu amigo
ricardo voltou says:
pq é tás PRETO?
ف الوطنية برصد مجموعة says:
só kero o teu bem
ف الوطنية برصد مجموعة says:
preto
ricardo voltou says:
sim
ف الوطنية برصد مجموعة says:
onde??
ricardo voltou says:
as letras?
ف الوطنية برصد مجموعة says:
ah???
ف الوطنية برصد مجموعة says:
as letras com que escrevo?
ف الوطنية برصد مجموعة says:
são a preto, sim
ف الوطنية برصد مجموعة says:
mas... não deviam?
ricardo voltou says:
sim
ricardo voltou says:
achei graça
ricardo voltou says:
ف الوطنية برصد مجموعة says:
e assim, jão estão melhor?
ف الوطنية برصد مجموعة says:
pretos du caralho!!!!
ricardo voltou says:
BENFIIICAAAAA
ف الوطنية برصد مجموعة says:
benfica?? NNNÃÃÃÃÃOOOOOOOOOOO!!!!
ricardo voltou says:
mas as pretas são boas!!!!
ف الوطنية برصد مجموعة says:
ISSSO NUNCA
ricardo voltou says:
POOORRRTOOOO
ricardo voltou says:
ف الوطنية برصد مجموعة says:
desculpa, mas sou teu amigo e recuso-me a responder a provocassões
ricardo voltou says:
e fazes tu muito bem
ricardo voltou says:
VIVA OS AMIGOS!
ricardo voltou says:
E PARA OS AMIGOS NÃO VAI NADA,NADA,NADA???
ف الوطنية برصد مجموعة says:
amigos para siempre
ف الوطنية برصد مجموعة says:
lálálá
ricardo voltou says:
E PARA AS GAJAS NÃO VAI NADA,NADA,NADA???
ricardo voltou says:
E PARA O PÃO COM CHOURIÇO NÃO VAI NADA,NADA,NADA???
ف الوطنية برصد مجموعة says:
TTUUUUUUUUUDDDDDDDDOOOO
ف الوطنية برصد مجموعة says:
até os uns bons pontapés na cona
ricardo voltou says:
E PARA O BACALHAU Á BRÁS NÃO VAI NADA,NADA,NADA???
ricardo voltou says:
CHIÇA
ف الوطنية برصد مجموعة says:
ssiiiiiiiim
ricardo voltou says:
Q´O GAJO ESTÁ VIOLENTO!
ف الوطنية برصد مجموعة says:
nem k sejam um bom vomitado depois do bacalhau
ف الوطنية برصد مجموعة says:
e vivam as imperias os caracois e as gambas
ricardo voltou says:
cá nojo
ف الوطنية برصد مجموعة says:
o k?
ف الوطنية برصد مجموعة says:
as gambas?
ف الوطنية برصد مجموعة says:
ou as imperiais?
ف الوطنية برصد مجموعة says:
ou os caracois??
ricardo voltou says:
nop
ricardo voltou says:
o vomitado
ف الوطنية برصد مجموعة says:
és gay ou k??
ف الوطنية برصد مجموعة says:
ah
ف الوطنية برصد مجموعة says:
o vomitado
ف الوطنية برصد مجموعة says:
opk
ف الوطنية برصد مجموعة says:
kamarade
ف الوطنية برصد مجموعة says:
du bist einne pilsnerdrunker?
ricardo voltou says:
QÈ?????
ف الوطنية برصد مجموعة says:
se és um bêbado de cerveja........ carago cu mouço é um moiro tontinho.
ricardo voltou says:
estás muito, mito estranho,
ricardo voltou says:
ainda continuas c o teu BLOG?
ف الوطنية برصد مجموعة says:
vou continuar hoje
ف الوطنية برصد مجموعة says:
depois de alguns messes
ricardo voltou says:
qdofui lá já não escrevia desde julho
ف الوطنية برصد مجموعة says:
de confusão cerebral
ricardo voltou says:
AH
ricardo voltou says:
e no BLOG já não estás confuso?!
ricardo voltou says:
Kiding
ف الوطنية برصد مجموعة says:
ah
ف الوطنية برصد مجموعة says:
num sei
ف الوطنية برصد مجموعة says:
num bi
ف الوطنية برصد مجموعة says:
num tava lá
ف الوطنية برصد مجموعة says:
num oubi
ف الوطنية برصد مجموعة says:
biba as gaijas
ricardo voltou says:
BIBA
ricardo voltou says:
Pita???!!
ricardo voltou says:
ف الوطنية برصد مجموعة says:
shoarma
ف الوطنية برصد مجموعة says:
com umas imperias
ف الوطنية برصد مجموعة says:
e uns tromoços
ricardo voltou says:
não como há q tempos
ف الوطنية برصد مجموعة says:
e umas gaijas
ف الوطنية برصد مجموعة says:
e eu também não
ف الوطنية برصد مجموعة says:
shoarma
ف الوطنية برصد مجموعة says:
digo eu
ف الوطنية برصد مجموعة says:
e uma francesinha? ah??
ف الوطنية برصد مجموعة says:
que tal??
ricardo voltou says:
fabuloso
ricardo voltou says:
o amigo ********* é q comeu ma francesinha há pouco tempo
ricardo voltou says:
em Espinho
ف الوطنية برصد مجموعة says:
pois
ف الوطنية برصد مجموعة says:
ouve
ricardo voltou says:
sim?
ف الوطنية برصد مجموعة says:
quando é que combinamos uma noite doida com o pessoal de antigamente?
ف الوطنية برصد مجموعة says:
tipo
ف الوطنية برصد مجموعة says:
recordar os bons velhos tempos
ف الوطنية برصد مجموعة says:
amigos de alex ou coisa parecida
ricardo voltou says:
AAHHHHH, NÂO!!!!
ricardo voltou says:
A DECADÊNCIA
ricardo voltou says:
Amigos de Alex!????
ف الوطنية برصد مجموعة says:
SSSSSSSSSIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIMMMMMMMMMMMMMMMMMMMMMMMMMMMMMMMMMMMMMMMMMMMMMMMMMMMMMMMMMMMMMMMMMMMMMMMMMM
ricardo voltou says:
MEN, ainda só tenho 32 anos
ف الوطنية برصد مجموعة says:
do alex, da maria, da gina, da teresa, de todas elas
ف الوطنية برصد مجموعة says:
e?????
ف الوطنية برصد مجموعة says:
eu tenho 37
ricardo voltou says:
e tu tb ainda não cegaste aos 50
ف الوطنية برصد مجموعة says:
e quero voltar ao antigamente
ف الوطنية برصد مجموعة says:
quero ter 20 de novo
ricardo voltou says:
... por uma noite?
ف الوطنية برصد مجموعة says:
não
ف الوطنية برصد مجموعة says:
para sempre
ف الوطنية برصد مجموعة says:
é verdade, tou a chorar
ricardo voltou says:
regresso ao passado
ف الوطنية برصد مجموعة says:
de saudade
ف الوطنية برصد مجموعة says:
saudade
ricardo voltou says:
pois
ف الوطنية برصد مجموعة says:
saudade de tê 20 ano di novo
ricardo voltou says:
era muito fixe
ف الوطنية برصد مجموعة says:
ainda por cima estamos a ouvir os herois do mar
ricardo voltou says:
mas crescemos
ricardo voltou says:
e temos responsabilidades
ف الوطنية برصد مجموعة says:
pois
ف الوطنية برصد مجموعة says:
sacana
ricardo voltou says:
e foemos ao futuro e os objectivios todos
ف الوطنية برصد مجموعة says:
continua assim que fico ainda mais triste
ricardo voltou says:
sorry
ricardo voltou says:
não era essa a intenção
ricardo voltou says:
tb penso no antigamente
ricardo voltou says:
olha só
ricardo voltou says:
parecmos uns velhos, Caralho!!!
ف الوطنية برصد مجموعة says:
biba o passado
ف الوطنية برصد مجموعة says:
biba o futuro
ف الوطنية برصد مجموعة says:
puta que pariu o presente
ricardo voltou says:
e as Gajas!!!
ف الوطنية برصد مجموعة says:
GAJAS GAJAS
ricardo voltou says:
o presente é a ligação
ف الوطنية برصد مجموعة says:
AH??
ricardo voltou says:
é importante
ricardo voltou says:
muito ZEN
ricardo voltou says:
ف الوطنية برصد مجموعة says:
E a religião?
ricardo voltou says:
é uma confusão!
ricardo voltou says:
(até rima)
ف الوطنية برصد مجموعة says:
tamos numa de didicarmo-nos à filhadaputice da religião?
ricardo voltou says:
mop
ف الوطنية برصد مجموعة says:
ou acreditamos realmente nos ET'S??
ricardo voltou says:
tu é q falaste nisso
ف الوطنية برصد مجموعة says:
gajas boas e et's
ف الوطنية برصد مجموعة says:
ah
ف الوطنية برصد مجموعة says:
como a vida podia ser boa
ricardo voltou says:
e robos
Olá

13 julho 2004

Desenho do André Ruivo
Olhem para o lado esquerdo

Vá lá, olhem para o lado esquerdo deste blog, onde estão os links e os arquivos... Está lá uma coisa chamada Desenhos. Cliquem lá... Isso... Foi a única forma de conseguir meter nesta porra, alguns desenhos meus.... Que feliz sou eu....

10 julho 2004

Este é mais um texto de opinião

A liberdade de expressão não é só um direito, mas sim uma realidade da nossa existência, como a água e o ar, o vinho e o leite, a carne e o peixe, a merda e a urina nas casa de banho. O texto que copiei para este blog, foi-me enviado por um amigo, daqueles mesmo bons e raros amigos. É um texto do Miguel Sousa Tavares. Não vou embirrar mais com ele, depois disto ...


Para Quê Votar?
Por MIGUEL SOUSA TAVARES
Sexta-feira, 02 de Julho de 2004
Vamos começar pela memória, porque esta gente detesta a memória, como todos os que vivem na oportunidade e não na coerência. Há uns anos atrás, quando o seu futuro político não ia além da função de animador sazonal dos congressos do PSD - e onde todo o seu pensamento político se resumia à patética reivindicação da herança de Sá Carneiro e do "PPD/PSD" -, Santana Lopes prestou-se (mediante "cachet", presumo) a fingir que era primeiro-ministro de Portugal, num programa da SIC chamado "A Cadeira do Poder", genial invenção do animador Albarran. No jogo - onde ele adoptou aquela postura grave de "estadista", que às vezes lhe ocorre sob os holofotes da televisão - acabou, aliás, derrotado por Torres Couto. Passados uns tempos, e quando os seus diligentes serviços de propaganda pessoal (sustentada pelos contribuintes) nos propunham acreditarmos na sua grande obra política que era a de plantar umas palmeiras na praia da Figueira da Foz, o mesmo Santana Lopes, indignado - e justamente, diga-se - com um programa da mesma SIC onde era pessoalmente achincalhado, pediu uma solene audiência a Jorge Sampaio para lhe comunicar, "urbi et orbi", que abandonava para sempre a política portuguesa.
Não foi preciso esperar muito para constatarmos que aquilo que era suposto ser a sério - o abandono da vida política - tornou-se numa brincadeira e o próprio indignado Santana Lopes acabou a trabalhar para a mesma SIC que tanto o havia ofendido. E se o que era para ser a sério se transformou numa brincadeira, o que não passava de uma brincadeira - Santana Lopes a primeiro-ministro - ameaça hoje tornar-se numa coisa séria. Parece um pesadelo e, no entanto, é um país: o nosso.
O que mudou? A progressiva degenerescência do pessoal político, a progressiva indisponibilidade dos competentes e dos sérios para servirem na política e habitarem no mesmo mundo onde habitam os Santana Lopes, os Jardins, todos aqueles para quem o poder é a única fonte de legitimidade e o único objectivo da política, todos os que, à boca cheia ou à boca pequena - como Paulo Portas ou tantos outros dentro do PSD e do PP -, falavam dele em tom de comiseração e hoje estão dispostos a, sem um estremecimento de vergonha, tratá-lo por "Senhor primeiro-ministro" e negociarem com ele fatias do grande festim de benesses que sempre acompanhou a carreira política do personagem.
Este é o homem, recordo, que, de todas as vezes que se propunha para presidente do PSD, tratava de deixar claro que não seria candidato a primeiro-ministro - tamanha era a convicção própria da sua absoluta incompetência e descredibilização para o cargo.
2. Reza a história que Pedro Santana Lopes e Durão Barroso se conheceram em pleno PREC, nos bancos da Faculdade de Direito de Lisboa. Um era protofascista, o outro maoísta - o que para nós, democratas, implica uma quase fatal atracção mútua. Ambos acabaram por encontrar o seu espaço e o seu destino comum nessa nebulosa de ideologias e de gestão de interesses que é o mal-chamado Partido Social Democrata. Ao ler a manchete do PÚBLICO do último sábado ("Durão segue para Bruxelas e oferece governo a Santana"), senti que ao país acabava de ser servido, e pronto a consumir, o desenlace de uma história privada de dois personagens que já foram íntimos, já foram desavindos e adversários, e agora são cúmplices na forma ligeira como entre si põem e dispõem dos destinos do país.
E senti-me, como qualquer português que se preze (o que é diferente de andar para aí a passear a bandeirinha...), enxovalhado, abusado e traído. Julgo, salvo melhor opinião, que vivemos ainda em democracia. E, em democracia, os governantes são votados e são despedidos pelo voto dos eleitores. Alguns dos eleitores votaram em Durão Barroso para primeiro-ministro e outros votaram em Santana Lopes para presidente da Câmara de Lisboa. Confesso que fiquei espantado, mas foi isso mesmo que aconteceu. Com que legitimidade política o primeiro abandona agora o cargo de primeiro-ministro a meio do mandato e só porque lhe apareceu coisa melhor e mais fácil, e o segundo abandona a câmara da maior cidade do país, deixando-a positivamente de pantanas, para receber o lugar vago que o outro lhe ofereceu? É assim que se fazem as coisas - vota-se em Durão para primeiro-ministro e leva-se com Santana e vota-se em Santana para a Câmara de Lisboa e leva-se com alguém que ninguém conhece? Porque haveremos então de votar, da próxima vez?
3. O destino pessoal de Durão Barroso é, de facto, notável. Faz lembrar o Pacheco, do Eça, subindo, subindo sempre, como o "menor denominador comum". Ei-lo que chega ao topo da hierarquia europeia depois de, há umas semanas atrás, ter sido o governante mais derrotado nas eleições europeias e de ter sido, há mais de um ano, o grande fautor de desunião da Europa, de cujo futuro fez tábua rasa pelo prazer de poder tratar por "George" aquela luminária do lado de lá do Atlântico. E chega lá porque pertence ao grupo dos governantes do centro-direita europeu (ele, supostamente social-democrata), porque fala francês, porque dá garantias de assegurar uma presidência fraca contra os fortes, porque preferiu para si a glória sem interesse nacional de ser presidente da Comissão do que o interesse de ter um português como comissário numa pasta decisiva. E porque revelou um respeito pelos eleitores portugueses que lhe confiaram a chefia do Governo em tudo diferente da de outros seus colegas, como o primeiro-ministro do Luxemburgo - todavia, ao contrário de Durão Barroso, recente vencedor das eleições europeias no seu país...
Lembrem-se: há três semanas atrás, na noite em que vinha de encaixar a maior derrota eleitoral de sempre do centro-direita em Portugal, Barroso olhou-nos olhos nos olhos e disse-nos. "Entendi a mensagem dos portugueses e prometo mais e melhor trabalho."
Lembrem-se: este era o homem que acusava Guterres de ter fugido, quando este, na sequência de uma derrota em autárquicas bem menor do que a de Barroso nas Europeias, se demitiu - como aliás o próprio Durão Barroso exigiu - para que o eleitorado dissesse se ainda confiava na maioria então governante.
Lembrem-se: este era o homem que, há pouco mais de um mês, fez aplaudir de pé, no congresso do partido, a sua ministra das Finanças, cuja política ele defendia como patriótica e que os "big spenders" do partido acusavam de ter grandes perigos eleitorais. E que agora se dispõe a deixar cair sumariamente a mesma ministra, vista como um empecilho para o estilo de governação do seu sucessor e, logo, como um empecilho para o arranjinho que deixou preparado.
O "interesse nacional", que ele tanto gosta de invocar a propósito de tudo e de nada e que agora usa como justificação para a sua escandalosa deserção, transforma-se em escárnio quando todos podemos observar como, desde sábado passado, o primeiro-ministro em fuga anda feliz, contente e aliviado.
4. E Jorge Sampaio, perguntam todos? Jorge Sampaio tem um problema que só ele próprio conseguiria inventar, com esta fobia dos consensos e de fugir às crises, como se elas não pudessem ser virtuosas, clarificadoras e - como é o caso - higiénicas. Jorge Sampaio não pode descalçar a bota por meios que a Constituição não permita. Mas pode fazê-lo por qualquer meio que a Constituição não proíba, e entre esses está o uso das suas convicções políticas, dentro do quadro dos seus poderes constitucionais. Jorge Sampaio foi eleito com base em determinado programa político e por isso é que uma parte do eleitorado - a esquerda - votou nele e a direita não. Pode e deve continuar a ser Presidente de todos os portugueses no que se refere à salvaguarda da Constituição, do funcionamento das instituições e da garantia de direitos iguais para todos. Mas não deve, mesmo que possa, trair o programa e as ideias políticas com base nas quais uma maioria de portugueses lhe confiou o cargo. Os que votaram Sampaio não aceitam este golpe de Estado palaciano congeminado na Rua de Buenos Aires. O país não se decide assim, em "petit comité" de usufrutuários do poder. Se o Presidente, nesta hora, não vê claro o que há-de fazer, não percebo para que haveremos também de continuar a votar num Presidente. Só faltava agora ficarmos a pensar que, com Cavaco Silva na presidência, Santana Lopes não chegaria ao poder com esta leviandade palaciana.


06 julho 2004

Voltei, mas vou-me embora de novo

A puta da vida é assim mesmo, cabra e exigente, sacana quanto baste e sempre a nos foder as nossas decisões. Bom, não é mais uma depressão, só merda atrás de merda. Mudança de estúdio, mudança de casa, tio de 83 anos a quem foi amputado uma perna, pai a sofrer de paludismo, mãe a atrofiar, filha a exigir a presença do pai, farto de aturar certas pessoas que não tenho prazer nenhum em conhecer e com muita vergonha de saber quem são ............. estas semanas, foram as semanas do isolamento necessário. A próxima, esta em que já estamos, será também de isolamento necessário, já a começar hoje, terça-feira 06072004. Até ao próximo voltar.

14 junho 2004

Pravda

No outro dia enviaram-me uma cópia de um artigo publicado no jornal Pravda. O texto estava assinado por um russo que reside em Portugal à 25 anos. Bom, é realmente engraçado saber como vê um cidadão qualquer, mesmo residente em terras tugas, este cantinho tão estúpido que tanto amamos. Como não me apetece estar a escrever seja o que for, sobre este adorável texto, copiei-o e colei-o, mantendo o direito de divulgar a opinião dos outros, em liberdade e respeito pela independência do pensamento de todos os Homens.




PORTUGAL: PESSIMISMO E PEDOFILIA

São dois os principais problemas de Portugal: os poucos pessimistas
profissionais, que passam a vida a contaminar o resto da população, e uma
governação inadequada, ineficiente, ineficaz e fora de contacto com a realidade
no país. Que Portugal e os portugueses têm inegáveis qualidades, não hajam
dúvidas. Não é por nada que Portugal é um país independente e a Catalunha, a
Bretanha, a Escócia e a Bavária o não são. Não é por nada que o português é a
sétima língua mais falada no mundo, à frente do alemão, do francês e do
italiano. No entanto, estas qualidades precisam de ser cultivadas por quem foi
eleito para liderar e dirigir o país. O que acontece é que nem agora, nem por
muito tempo, Portugal tem tido líderes dignos do seu povo, capazes de liderar a
nação, realizar os projectos que foram escolhidos para realizar. O resultado é
uma onda de pessimismo, no meio dum mar de desemprego, desinteresse e
desorientação que serve de combustível para a economia emocional não funcionar,
aquela economia que é tão importante quanto a economia das quotas de oferta e
procura. A consequência é uma retracção não só da economia mas também do psique
da sociedade, com uma introversão patológica a manifestar-se no escrutínio
colectivo do umbigo nacional, ou um pouco mais abaixo. A não-história da
pedofilia, já uma psicose nacional, é um belíssimo exemplo de até onde pode
chegar uma sociedade quando nem é orientada nem estimulada a pensar em
horizontes mais saudáveis.
Há mais que um ano, a imprensa portuguesa regurgita a história do abuso sexual
de meninos do orfanato/escola Casa Pia, apontando nomes sonantes da vida pública
que nem têm lugar aqui, visto que até ser provado ao contrário, uma pessoa numa
sociedade civilizada, é considerado inocente.

Na busca de quem foi ou quem não foi, deu origem ao levantamento na praça
pública duma lista substancial de nomes do mundo artístico, desportivo, e
político, aos mais altos níveis. Não é a causa do pessimismo em Portugal, mas
espelho dele. A noção que "nós não prestamos, somos os coitadinhos da Europa e a
alta sociedade é podre" se ouvia nos finais dos anos 70, desapareceu e com a não
governação do primeiro ministro José Barroso, voltou. Está tangível, quanto mais
para um estrangeiro que ama e estuda este país há 25 anos. Outra manifestação
deste pessimismo é a negatividade ao nível das conversas nos cafés (inaudíveis
nos claustros de cristal onde pairam os governantes do país) acerca dum evento
que a priori é a melhor hipótese que Portugal alguma vez tem tido para se
projectar na comunidade internacional ? o Euro 2004. O Euro 2004 é o ponto
desportivo mais alto na história quase milenar de Portugal. É um dos três mais
vistos eventos televisivos no mundo e é uma excelente oportunidade de enterrar
de vez a falácia que Portugal é uma província espanhola. Mas o que é que
acontece?

Enquanto o resto da Europa se prepara com entusiasmo para o Campeonato da Europa
em Futebol, se ouve em Portugal por todo o lado que os estádios não estão
preparados, ou que não são seguros, ou que os aeroportos não estão adequados ou
que vai haver problemas com hooliganismo ou com terrorismo. Disparate! Ou pior,
uma vergonha, por quem perpetua este tipo de lixo que se chame notícias por aí.
Para começar, os estádios estão tão prontos que já se joga futebol neles.
Segundo, as normas de segurança têm de obedecer a rigorosíssimas normas de
controlo estipuladas pela inflexível UEFA. Terceiro, os aeroportos têm dos
sistemas mais avançadas de controlo de tráfego aéreo, total e completamente
integrados nos da União Europeia e mais, os adeptos não vão todos chegar no
mesmo dia, nem todos de avião. Quarto, quando os bilhetes foram vendidos na
Internet, foi consultada a base de dados proferida pelas forças policiais dos
países presentes no Euro 2004. Quinto, Portugal é alguma vez um alvo para
ataques terroristas, desde quando? Só se fossem as FP-25 de Abril.

Porém, onde estão as autoridades a explicarem a verdade, a estimular a
população, a instilar o optimismo, não só para o Euro 2004 mas para galvanizar a
economia, a liderar o país? Exactamente onde estiveram, estes ou outros, quando
os interesses dos portugueses estavam a ser vendidos por um preço barato, o que
levou gradualmente à situação actual em que uma família portuguesa gasta
substancialmente mais do seu ordenado em necessidades básicas do que no resto da
Europa. Não se admite que num supermercado espanhol, se encontram exactamente os
mesmos produtos bem mais baratos do que em Portugal, não se admite que no Reino
Unido o cesto básico de alimentos custa bastante menos, quando se ganha cinco,
seis ou sete vezes mais. Há duas semanas, vi três restaurantes no centro de
Londres com a cartaz "Comam o que quiserem por £5.45 - 9 Euros, ou um pouco
menos". Os portugueses gastam uma fatia tão grande do seu ordenado em
mantimentos fundamentais que não há capital disponível para os serviços,
restringindo a economia a um modelo básico e muito primário. Se bem que Portugal
é um país pequeno, também é a Bélgica, a Dinamarca, os Países Baixos, o
Luxemburgo, a Suiça, a Irlanda. Estes países têm um plano de médio e longo prazo
e nestes países ganham os lugares de destaque pessoas competentes e devidamente
qualificadas e formadas. Em Portugal, o plano é ganhar as próximas eleições,
ponto final. O que acontece depois? Há uma onda laranja (PSD - Actual gov) ou
cor-de-rosa (PS - gov anterior) a varrer o país e ocupar todos os quadros altos
e médios, seja em ministérios, em faculdades, em firmas, até em hospitais.

O grande plano é, quanto muito, de quatro anos, o que explica a pequenez de
pensamento e a falta de visão personalizada por uma ministra das finanças que
trata a economia do país como se fosse uma dona de casa maníaca, que, munida com
uma tesoura gigante, tenta transformar um lençol de cama de casal numa bata para
uma boneca diminuta? Corta, corta, corta. O resultado disso tudo é o que se vê:
desempregados à espera de desemprego durante largos meses, não semanas, sem
receberem um tostão do governo que elegeram para os proteger.

Quão conveniente por isso que o país fale de pedófilos e não da economia, do
emprego, da falta de poder de liderança deste "governo" PSD/PP, da ausência duma
cariz democrático, ou social, ou popular, da ausência do contacto ou calor
humano destes, que foram eleitos para proteger seus cidadãos. O que fizeram?
Absolutamente nada. Lamentaram que o país era um caos, e calaram-se. Então, onde
estão as políticas de salvação? Portugal está, e por muito tempo tem sido,
liderado por uma argamassa de cinzentos incompetentes que venderam os interesses
do país irresponsável e negligentemente para fora. Portugal precisa de quem
tenha o brio e a chama suficiente para incendiar a paixão do povo deste país
lindo, desta pérola do Atlântico, de ajudá-lo a ir ao encontro dos seus sonhos,
acreditar em si, redescobrir as suas consideráveis qualidades e colocar Portugal
num lugar de destaque entre a comunidade internacional. O leitor pode apontar
quem tenha feito isso nos últimos anos? O José Barroso está a fazê-lo? Caso
contrário, se não descobrir, e rapidamente, quem for competente para governar
este país, os projectos audazes e brilhantes, que vão de mãos dadas com o
espírito e a alma portuguesa, como por exemplo a EXPO 98 e a EURO 2004, ambos
com uma gestão excelente e uma preparação de que poucos países se poderiam
gabar, perder-se-ão no mar de lamúria de assola Portugal. Francamente, a
paciência dos que tanto lutaram para fazer qualquer coisa deste rectângulo
atlântico, começa a esgotar-se. Já que gostam de dizer que quem não está bem
deve mudar-se, começa a ser uma excelente ideia.

Timothy BANCROFT-HINCHEY
Director e Chefe de Redacção
PRAVDA.Ru Versão portuguesa

08 junho 2004

Olá

Pois, é verdade ainda não morri.

04 junho 2004

Caquinha, não posso escrever merda, por isso ...

Alguém, recentemente, criticou este blogue porque está cheio de palavrões. Eu não admito que me critiquem. Foda-se. Não gosto que digam mal de mim. Merda. Eu não sou ordinário, só sou um tipo mediano, superior a todos os outros, com os vícios mundanos e tarado sexual. Porra. Eu sou um deus, o único que vocês deveriam adorar. Foda-se. A merda é a única coisa que se mantém igual desde o princípio dos tempos.

01 junho 2004

Por principio.


Sem o compromisso necessário, retribuo o afecto que me ofereces-te. Não assumo nenhuma pressão, um voltar atrás, nem mesmo uma imagem em formato de recordação, sobre mim ou sobre o que eu fui para ti. Solto a vontade de continuar, agarrando a tua semelhança com as nuvens, virando sempre para o lado mais errado possível. Como se a brisa pudesse mentir ao meu ouvido, todas as estórias contadas, entre nós, em momentos alternados, mãos e pés, cruzados em união. O estado alienado de todo o meu ritmo, compassado, permitiu que tudo, o meu todo, em todo o tempo, pudesse dizer-te com a liberdade verdadeira, o espaço nada físico, vazio, sem a energia que todo o nosso tempo foi usada na colagem do nós, como se fosse o eu no plural. É curioso como sem saberem, algumas pessoas referem um ponto comum, uma assinatura típica da minha instabilidade. É curioso como todas essas pessoas dizem, que engraçado, o rosto de todas as tuas mulheres no papel, é sempre um rosto com a mesma expressão. Pode ser. Pode não ser. Não sei se realmente é. Não sei. Por vezes elas até são, um rosto, o mesmo rosto, a marca de um momento real e marcante, como se rasgassem as minhas veias, uma depois da outra, lentamente, recolhendo o meu sangue, para assinarem o teu nome no meu imaginário. Morro. Célula atrás de célula. Memória atrás de memória. Os teus beijos. Os teus desejos. Morro. Abraço-te com carinho, amor perdido.



Sou teimoso? Foda-se, e depois, não posso? Não posso ter as minhas certezas e defende-las? Mesmo que ninguém concorde, mesmo que tudo seja diferente, diferente do comum, de todos os outros? Foda-se, tenho de gostar de azul como tu? Estou errado em gostar de misturar o azul com verde, ou menos azul que todos os azuis que vocês usam? Não me sinto bem se tiver que usar o gosto dos outros, que me oprimem. O Eduardo Beauvalet diz que sou irreverente. Pois, deves ter razão, mas mesmo assim, porque não posso ser? Foda-se, já escrevi muitos foda-se, não foi? Então, foda-se, vão todos para o caralho. Pronto. Palhaços.


A vida que eu já vivi. Pois, pois. Vê, que até eu volto todas as manhãs, sempre igual.


Incúria. Masturbação de ansiedade. Nunca sem vir tarde. Como de nunca quem eu fui, nem tarde demais nem sem me ver com pressa, mesmo até chegar sem desistir. Procurando, sem largar, onde ela me deixou, tempo quebrado, o oxigénio terminado e queimado.


Reciclagem, o caralho. Morte às cidades. Lixo na tromba desses burgueses da treta, armados em gentalha com responsabilidades para com o mundo. Vão cavar batatas, seus urbanoides da treta. Caixotes de merda, pulgas existencialistas. Queres ecologia, foda-se, não poluas o ar com o teu tabaco da merda, os teus peidos de merda acumulada.


No interior, nocturno, sem possibilidades de descobrir luzes de referência, nunca perco as gentes que me encaminham. Caminhos de terras reconhecidas, calcadas pelos meus passos, que me conduzem a espaços determinados pelas minhas necessidades reais. Sem pregões. Nem pregas no meu olhar. Abraço o mar de lágrimas derramadas depois das mortes que senti, na minha negra existência. Cruzo o olhar com a indicação que tenho de seguir, sempre atrás de qualquer que seja o teu, a tua, o sempre, seguir-te num bairro que existe sem nunca o reconhecer. Com ternura, no meu olhar, minto-te. Sem coordenadas, sentes a tristeza da mentira que tem de ser, de que realmente tem de existir no meu discurso. Queixas-te com razão ou não tens razão de te queixar, sentindo a imaginação além do nosso horizonte sem principio nem fim, mal eu te minta carinhosamente? Aquela árvore agarra-me ternamente, ancora plantada na minha frente, pelas minhas mãos, pela educação conservadora, a minha.


A morte, a doce morte que a minha Avó escolheu. Contra a moral, falsa, a sua moral falsa e católica, num estado laico apodrecido com as suas entranhas expostas. A morte, a doce morte que abraçou a minha Avó na sua escolha.


Algures entre mim, agora, e o que já fui, passado ainda marcante, encontra-se o que sempre deveria ter sido. Por uma lógica menos conseguida, uma compressão de forças direccionadas para o meu caminho, traçado, definido anteriormente, não por mim enquanto feto mas por todos os que me arrancaram da ignorância amada. Não consegui ser o definido, não me permiti ser o que me foi definido, por ter de conseguir ir sem voltar para essa ignorância passada. Família, valores valiosos que desconheço sempre, ao longo do tempo que corre num dia. Se tudo faz sentido, significado? Para mim, sim. Sempre teve sentido o que fiz. O que os outros pensaram que seria, não sei, imagino. Mas sempre senti que os valores que desconheço constantemente, explodem como cataratas de água cristalina como o sangue, sempre me habituei a senti-los, são importantes para o clarear do caminho que desconheço e percorro.


Porra, lá está o sacana do Pepe a falar dele. Sempre ele e o seu umbigo.


No bairro. Amélia, jovial e de vestido verde pálido, caminha com sedução pela rua onde moro. Abre a porta do seu prédio, em frente do meu, chegada de não sei que sitio, com a mão esquerda. Na outra mão, leva um saco plástico branco, manchado, parece sangue, que pousa cuidadosamente no chão lavado e a cheirar a maçãs. Dobra o corpo de bons atributos, abre o saco. O vestido, típico vestido de mulher segura dos seus quereres, solto, translúcido, deixa-me aperceber o desenho das pernas da Amélia. Perturbado, afasto-me da janela, dirijo-me à cozinha. Abro a porta do congelador, o frio relaxa-me. Penso na minha pequena perversão, sorrio da minha cumplicidade. Amélia sabe que estou sempre à janela, na janela de frente para o seu prédio, sempre na mesma hora, no mesmo instante. Conhece a minha motivação, voyeur, o calor que tenho sempre que vejo o seu caminhar na minha rua, no nosso espaço comum. Provoca-me. Volto à janela, e a Amélia, com movimento de fêmea felina no cio, pernas afastadas como se estivesse a procurar o equilíbrio necessário para prolongar o meu desejo, retira do seu saco de plástico, um objecto que não percebo. Roda a cabeça, olha-me através do vidro, queima-me os olhos, reboliça o meu sangue, mostra-me o que tem na mão. Assustado como um puto apanhado de surpresa na sua primeira punheta, afasto-me da janela. Escondo-me na minha sombra, projectada na parede do fundo da sala. Cobarde, fiquei todo suado. Muito devagar, aproximo-me da janela, espreito. Merda, a Amélia já lá não está. Sou mesmo estúpido. Não consigo olhar, fixo, directamente nos olhos de uma mulher.


Estou cansado. Muito cansado. Não consigo contar mais estórias, inventadas e vividas.


Ouve, podes apagar as luzes? Estou a ficar cego. Além disso, dói-me muito a cabeça. Espera, não falas assim tão alto. Vou chamar um táxi. Quero sair de casa e viajar. Mesmo que seja num carro, quero viajar. Falta-me esse bem estar que sempre obtive no viajar. Como é, já apagas-te as luzes? Todas as luzes que me incomodam? Vá, não me chateies com essas perguntas parvas, apaga as luzes que quero sair. Vá, deixa-me. Eu voltarei, sei que voltarei. O táxi já está à espera lá embaixo na rua. Onde pus o meu dinheiro? Ah, está aqui. Bom. Dá-me um beijo, adeus.


Parado, torcido, podre, embrutecido, sozinho, cego, desprezado, revoltado, morte, regresso, fim.




27 maio 2004

Mulheres

Hoje a gaja das limpezas, fodeu-me o juizo. As gajas quando se divorciam, ficam mais estúpidas ainda. Incrivel.

16 maio 2004

Não quero saber

Vão para o caralho.
Eu não sou nenhuma besta ...

Não sou nenhuma besta ... foda-se ... Eu respeito todos voçês, seus filhos de putas mal cagados! Posso não ser sensivel o suficiente, para ser aceite na merda das vossas vidinhas, mas também não sou um monte de sebo fedorento que vos fode o juizo com palavras ordinárias, reles e chungas quanto basta. Um gajo meu amigo, diz que eu sou um irreverente. Bom, também não sei o que essa merda possa ser, cagueiandei. Se não gostam de mim, puta que vos pariu, não falem mais comigo. Desapareçam, seus punhetas fatelas! Voçês são a nova mutuação do Homem, de homosapiens para homoesgoto.

11 maio 2004

O meu caralho, a tua cona.

Se quiseres, posso enfiar o meu caralho na tua, de todos, cona.
Pois é ...

Afinal o Pepe não morreu. Pois não, não morreu, não senhor, está vivo. Vivo e fodido como o caraças. Bom, com um pouco mais de doenças, paranóias e tramóias. O suficiente para curtir imenso as candidatas a putas de Portugal 2004, com as suas peidas fatelas tetas foleiras. Elas e a merda do júri, que talento de gente bem tuguesa. Ou como ser tugueses sem sair da normal definição. Estúpidez, ignorância e dinheiro a mais para trocar em broches longe das cameras e microfones. Labregos e putas reles, são realmente o nosso presente e sem desilusões, o nosso futuro. Viva Salazar. Esse gajo é que tinha razão, fado, futebol e a Fátima é o suficiente para a merda lusitana, com o brio caracteristico de agricultores com dinheiro, é realmente o suficiente para esta merda de pessoas viverem. Viva Salazar.

01 abril 2004

Olá, cá estou eu de novo.

Sempre o mesmo, com a mesma barriga de cerveja, a mesma careca, o mesmo ar de não sei onde estou, o mesmo. Mas também, agora já nada tenho mais para dizer... Por isso, ou acabo com esta merda de blogue ou vou partir para outra cena. Puta que vos pariu.

29 março 2004

Expliquem-me isto, por favor.

Vá lá, não sejam assim, estúpidos, expliquem-me isto que se está a passar aqui, agora, neste momento, que não consigo controlar nem entender. Não sei se posso ou não, mesmo sabendo que tenho a certeza, não sei se poderei sendo possível fazer, sempre solto, expliquem-me por favor. Não entendo, não compreendo, não consigo descobrir a sequência planeada sem sentido algum, lógico mesmo para mim. Se não me explicarem, por favor, não vou conseguir continuar assim. Abro tudo de uma só vez ou deixo o movimento ser continuo, para contornar o sentido tomado, direccionado sem principio, sem uma, uma só, pauta condutora? Vá lá, expliquem-me de novo, tudo de novo para que tenha sentido algum a minha vontade.

28 março 2004

Não fui, nunca serei.

Mesmo que não seja de acordo com o que os outros, voçês, possam ter sempre pensado de mim, não fui, nunca serei aquilo que pensaram sempre que fui. Se querem saber, esventrar a minha pessoa escondida, dissimulada, saber para poder dominar, talvez, sem sentido nem permissão de mim para voçês, sem a palavra da minha dissimulada entidade e regida por uma vontade de me esconder mais fundo, mais longe possivel e afastado de mim, seja falso ou concreto, se querem mesmo saber, tem de esquecer tudo o que vos ensinaram, risquem a merda das palavras, das vossas imagens, conceitos e preconceitos, estúpidez complexada. Experimentem, não o desvio de sensações, mas sim o corte de libertação desse sangue, o sangue quente e calmante, esse que vos faz chorar nos noticiários, e tentem o expressar misturado numa lágrima. Numa simples lágrima. Deixem a vossa vida se misturar com a urina que vos preenche. Suicidem-se. Sejam mais práticos num mundo mais fácil de entender.

22 março 2004

Pronto

Desculpem-me, eu não fiz por mal, a sério, pronto, é assim .... não fui cão raivoso, pronto, coiso, percebem? Não foi por maldade ou vingança, a sério, juro, porra. Epá, prontos, sou assim, que se fodam ...

19 março 2004

Pin ups

Putaquepariu ... Lá estou eu a desenhar gajas outra vez. Foda-se. Hoje fui almoçar com o Gamito e o Osvaldo, perto da Animanostra e como é normal naquela zona, só putas boas ... por isso, não resisti, sou um cão pervertido, vim para casa desenhar gajas. è pena que eu não saiba colocar desenhos nesta merda, senão voçês iriam ser bombardeados de gajas, desenhadas. Mas boas, apesar de serem só riscos ....

18 março 2004

Mas que merda

Agora não consigo acertar a merda do relógio desta porra!!!!!!

15 março 2004

É triste ser a prova de tudo o que odeio

Mas mesmo assim, continuo a ter dores incriveis de pescoço. Hoje andei a passear por Lisboa. Magnifica cidade. Só poluição, barulhos, maus cheiros, merda atrás de merda, sempre o mesmo ritmo marado, compassado, de vidas nojentas e sem interrese. E porque as gajas, voltaram hoje a ser boas, por causa do calor, esse bom calor lusitano, começaram a deixar as mil e uma peças de roupa com que se tapavam. Viva a porra das mini-saias. Vivam as pernas rapadas. Vivam as peidas a abanar, as tetas a quererem sair dos decotes quentes. As bocas mais suadas que brilham mesmo no metro. As roupas ao som sensual dos saltos dos sapatos, das botas, daqueles pés que transportam as gajas de um lado para o outro. Voltei a ter vontade, não a de foder, nada disso. Só vontade de desenhar e ler, ouvir musica e escrever. Beber mais uma gelada. Hoje, no metro, com o calor a comandar os seus gestos, mesmo os mais simples gestos, o mandar para trás o cabelo vistoso, duas mulheres, vintes e tal, conseguiram motivar-me para a vida de novo. Hoje vou sair à noite. Tenho de sair hoje à noite.

05 março 2004

Fui autorizado a disser isto

O Daniel Maia é um palhaço, com tendências sexuais desviantes.
Queres um hamburger, ó defeciente?

Pois é melhor pedires à tua mãezinha que o faça em casa, já que os porcos da Macdonal's não gostam de crianças com defeciências fisicas ou mentais, nem pobres nem burras. Não chega o ridiculo de ter crianças a acompanhar os drogaditos do futebol, como também tinhamos mais uma vez, de suportar uma tia vereadora que não sabe que merdas assina a despacho. Foda-se, mas os tugas ainda não entenderam que temos de mudar, já, urgentemente............. Morte.......
VERGONHA

Filhos da puta....... Padres da puta que os pariu....... Essa dita campanha, recentemente efectuada junto das escolas portuguesas, junto das crianças, é obsecena e pura pornografia...... Esta merda não pode ser um pais, não acredito, Portugal não deve ser um pais. Que raio de pais poderia admitir, aceitar, apoiar, essa obsecena e pornográfica campanha desses cabrões desses padrecos? Padres, bom, não seram realmente padres, pelo menos não da relegião em que eu fui baptizado. Morte a esses cabrões..... Não bastava andarem a violar, violentar e maltratar as nossas crianças, os nossos descendentes, ainda tem o descaramento de utilizarem a doença social ( Aborto clandestino ) como pornografia. Quantas punhetas esses sacanas padrekus batem a ver essas imagens que divulgaram, obscenas e pornograficas, e será que se enrabam todos em conjunto a pensar no assunto? Essa associação dita de SOSvida, mais esse gajito padre Jerónimo Gomes e o outro punheteiro bispo do Algarve, tera de muita puta manhosa e abortos religiosos, Manuel Madureira Dias, não passa de uma produtora de pornografia de fetos, para dar tusa aos tarados que veneram o corpo de um gajo morto ( Se o gajo existiu ou não ) e as suas concubinas fracasadas enquanto mulheres. E o merdas do Primeiro ministro não faz nada? Não é da sua obrigação principal, a defesa e proteção do pais, dos seus cidadãos? Ou será que as crianças não tem direito à educação e a um crescimento correcto, natural, saudável, sem medos ou paranoias do género "o papão vai te papar"? Sou pai e estou fodido com a merda de pais onde vivo. Sou cidadão e estou fodido com este pais. Sou cidadão e tenho o dever e o direito de atacar, até à morte se necessário, todos os que prejudicarem a minha filha. A mim, não podem negar o direito natural de defender a minha vida, a minha liberdade de expressão e o meu direito a apontar o dedo aos cães que cagam em cima de Nós. Sim, à revisão da lei do aborto....... As mulheres tem de ter a última palavra sobre o assunto, não uns gajos de merda, fracassados, que vestem batinas e merdas dessas, para esconder a incompetência como homens, como cidadãos.
Num pircebu náda diztu
Ok

Estou tramado, não consigo colocar fotos nesta merda!!
E prontos...

Mais um mês, mais um ano, mais uns filhos da puta que nasceram por ai, nesta merda de caixote de lixo. Ainda não percebi como é possivel viver neste estado. Já tentaram me explicar mas mesmo assim, não entendo porra alguma.

24 fevereiro 2004

Com o caralho!!!

Não entendo nada desta merda. Faz frio, faz sol. Será que o filho da puta que manda no tempo, anda marado dos cornos e não sabe o que quer fazer da puta da vida? Estou com vontade de sair desta merda e partir de férias para o Iraque. Talvez tenha a sorte de matar uns americanozitos e ir ao cu às soldadas da GNR que por lá andam a passear.
Censura

O parvo do Daniel Maia, CENSUROU-ME.......... O sacana disse que já sei desenhar tão bem quanto o """""""". Acho que o tipo está com problemas com as hormonas..........
Vou arrotar

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17 fevereiro 2004

Foda-se, putaquepariu

Cona da tia, estou mesmo gágá!
Foda-se, putaquepariu

Cona da tia, estou mesmo gágá!

06 fevereiro 2004

Avé, avé, cona da tiaaaaaaaa...

30 janeiro 2004

Fixe

Ainda ninguém leu merda alguma do que eu já escrevi.

18 janeiro 2004

Existir.

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Três vezes.

Três vezes tentei, três vezes falhei. Três vezes falei, três vezes me calei, esperando a resposta. Três vezes tentaste me responder, três vezes falhas-te. Diz-me, consegues me beijar sabendo que já, ai, ao teu lado, eu não estou?
Mas, e eu?
Perto do fim.

Abri a porta, tentei entrar. Vi reflectido no espelho pequeno, colocado atrás do cristo pendurado, a imagem da noite que acaba. Desculpei-me, disse que estava constipado, que aqueles olhos são de gripe. Não acreditei. Também não me interessa, não existe ninguém para enganar. Ninguém para convencer. Julgo estar a aproximar-me do meu fim, talvez um pouco rápido demais, talvez demasiado lento. Nunca irei saber. No fim, nunca saberei se consegui ou não.
Um abraço.

Um sorrir simples. Uma tentação infantil. Um beijo. O toque na tua mão. O teu corpo, para mim, na minha saudade. Uma canção triste. A alegria esquecida. O teu corpo, o meu tremor. O teu cheiro que me ocupa, que me invade sem permissão, sem objecção. Camisa preta, quase justa. Saia simples, contorno dos movimentos sedutores, provocação com dor. O meu passo acelerado, compassado, com o teu cheiro. Um pedido de estar, junto, mesmo em silêncio. Nunca dissemos amo-te, nunca o diremos. Não agora. Não depois do fim, na continuidade de nós, soltos. Mesmo assim, ficou para sempre nas minhas mãos, o teu sorriso simples, a tua mão tentadora.
Urbanismo real.

Casas negras, sujas com águas residuais, casas negras das fábricas, albergam pessoas sem interesse algum na vida. Existências que o são por o ser, sem lógica ou por quererem. Arquitecturas como torres de térmitas nojentas, aproveitadoras de detritos dessas fábricas, ocupam espaços necessários e vitais, para o viver com ar. Espaço, a sua falta, a sua presença no existir, opressor dos nossos sentidos, condicionando as cores e suas temperaturas, os sons que não conseguem propagar nas condições correctas até aos nossos sabores rítmicos. Temos de sabotar as redes e vedações, rebentar as paredes que impedem o desenvolvimento, esventrando por fim, novos caminhos de visão para além das nossas limitações. Afinal, os muros também caem, como folhas podres, saturadas, de estruturas já passadas.

12 janeiro 2004

Se pudesse

pois bem, não sei se posso, mas se pudesse, bom, se pudesse fazia mesmo assim. Mesmo não sabendo se posso, faria na mesma, mesmo que não o pudesse fazer.

10 janeiro 2004

Mary Quant.

Realmente, será que o Vaticano ainda não entendeu que deve, tem de, canonificar essa santa senhora? Bem dita sejas, Mary, por teres criado a magnifica, esplendorosa, sublime, suprema, incrível, mini-saia. Ah, que terapêutico é, andar na rua e ver as damas, belas, esplendorosas, com as suas belas pernas, de um lado para o outro! Ah, mini-saia dos nossos desejos!

09 janeiro 2004

Ondas de radiação.

Corpos de bronze falso, cobertos de fragmentos de montanhas já idas, tensos e deitados em cima de tecidos de imagens estampadas, foleiras,
com químicos de protecção espalhados docilmente. Canso o meu olhar,
sossego o folgo contido, o respirar descontrolado, levanto-me. Corro para a água, mergulho. Nado, para longe, criando uma distância enorme entre mim e o resto. Mergulho. Nado dentro da água, quente e calma, como se procurasse um motivo para esquecer tudo o resto, todos os restos, libertando-me assim de problemas
que me consomem. Deixo-me flutuar, olhando para o céu, como um corpo morto
a fugir, arrastado pelas correntes, e penso em tudo o resto, o resto que tento sempre me esquecer. Acalmo o respirar, profundo, olhando para o azul ofuscante, abrasador, e recolho da minha memória o que necessito de resolver.
Se conseguir voltar, ainda em tempo, no tempo dos outros, vou telefonar para ti. Vou tentar falar contigo, dizer-te coisas que nunca consegui, perto de ti, dizer. Tenho de te falar, de te dizer que te odeio, que me metes nojo, que não suporto mais saber que vives, que o teu belo sorriso me dá náuseas, vómitos,
lembrar-me que a minha língua lambeu a tua, tocou os teus dentes,
a minha saliva misturada no teu suor. Quero te matar, arrancar do meu imaginário, criação da memória, do passado ainda marcante.
Quero-te misturar nas cinzas do meu passado, do meu já existido. Fecho os olhos. Com uma mão molho a cara, água salgada. Mergulho de novo.
Nado em direcção aos corpos de bronze falso, radiações de marcas diversas. Caminho na areia. Vou para o carro, abro a porta, entro.
Chave na ignição, primeira. Vidros abertos. Tenho de ir ao multibanco,
não me posso esquecer. Ligo o rádio, Cd de musica, mp3, musica de Dj’s franceses.
Aumento o volume. Fecho os vidros. Djacid - lyondance, Junior Market – dnb,
D_vision – funky. Molho os lábios. Sorrio. Paro o carro no fim da curva,
puxo o travão e desligo o carro. Encosto a cabeça, e imagino projectado no vidro do carro, as imagens que recordei na água. Fecho os olhos.
O telemóvel toca, atendo. Uma voz irritante pergunta-me onde estou,
vai para a merda. Foda-se, deixe-me em paz, não me apetece aturar seja lá quem for. Foda-se. Olho para o relógio no tablier do carro, tenho de limpar esta merda toda, só sujidade. Saio. Nesta rua as pessoas parecem ser todas um monte
de animais sem destino, soltos sem dono. Bem, vou continuar a andar,
se calhar vou andar a acelerar, aos saltos ou em passos bem curtos. Não sei.
Vou até ao café ali ao pé da paragem, cantinho do mané. Um mil – folhas
e uma cola, obrigado. Não, não é necessário um cinzeiro, obrigado.
Sento-me numa mesa ao canto, lá ao fundo, refundido. Desenho no guardanapo, uns riscos quaisquer e sujo os dedos com a tinta da caneta futura.
Acabo a cola e apetece-me arrotar, não o faço, é muito mal aspecto,
muito mesmo, bocejo. Quanto é? € 3? Chiça! Tudo bem, é melhor sair daqui,
que estes gajos roubam bem. Na rua, as pessoas continuam a comportar-se como animais, soltos e sem dono. Sem nexo. Sem seja lá o que for. Também não me interessa. Deixo o carro, ali, ao pé da curva, estacionado e dirigi-me para o jardim ali perto. Sento-me num qualquer banco, sacudo a areia das botas, areia da praia dos corpos de bronze falso, como a apagar a memória deste verão intenso.
Deito-me no banco e adormeço.

05 janeiro 2004

MMMM

As meretrizes mutantes da mata do monsanto
Mis huevos

Bem, já perceberam que aqui ao lado, do lado esquerdo deste bloguito, sim, esquerdo, aqui ao lado, existe um atalho para uma coisa que se chama grandes mistérios? Não? Bom, não importa. Cliquem no nome mistérios e nessa página cliquem em cartoons. Foda-se, que espetáculo, uma bd do pepe online...

02 janeiro 2004

Já me esquecia...

É uma festa para a verdadeira sociedade, aquela que importa mesmo conhecer, sim, das pessoas bonitas, chiques e sem vómitos...
Gostavas de ser convidado/a para a festa de aniversário do pepe?

E que tal, se eu te disser que essa festa é também a festa de aniversário da Ana Bébe de Freitas, festa de debutante da Ana, gostarias de ser convidado/a? Pois então, escreve-me para: bixogaspar@hotmail.com e saberás o dia, a hora e o local deste magnifico evento. Mais, não te esqueças que é uma festa a rigor, sim, de fato e gravata e as gajas de saias e femininas... bom, se queres passar uma noite em plena festa de glamour e brilhantina, não te esqueças desta festa. E que 2004 seja um ano bom, brilhante, glamoroso e tudo o que for necessário para sermos o que qiuisermos.